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| Matthew Vs. Ron |
Conforme qualquer doença fatal ou muito grave, o processo para chegar em um tratamento minimamente satisfatório para essa doença imuno-deficiente demorou anos ou, como muitos diriam, ainda não chegou. Os interesses envolvidos são dos mais perigosamente poderosos: vida, dinheiro e o próprio poder de interferir com ambos. Embora personagem muito controversa, o Ron é, ainda hoje, lembrado pelo compromisso muito grande que teve com essa causa.
Depois que assisti o filme, do qual não tinha a mínima expectativa, nem muito conhecimento por ter sido ofuscado pelos colossos 12 Years a Slave e outros concorrentes do Oscar desse ano, me senti completamente transportada pela atuação incrível que logo se percebe ao conhecer os protagonistas desse longa. Seria muito redutivo dizer que o trabalho dos atores foi de qualidade porque eles perderam peso para interpretar o Ron e o Rayon. Mas, sim, eles perderam peso e, julgando pelo olhar, perderam também a esperança, a felicidade e tudo que deixa um ser humano sereno e confortável dentro de uma multidão social.
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| Jared Leto como Rayon |
Li um artigo do Steve Friess (TIME) no qual o jornalista escreve sobre seu total desacordo com o Oscar com o qual a Academia premiou o Leto pelo papel de Rayon. Ele afirma que, assim como a atriz Hattie McDaniel em 1940 ganhou o Oscar pelo papel de Mummy no E o Vento Levou somente por ser negra, hoje o Leto ganha o Oscar "somente" por interpretar um transexual.
Para contestar o Friess, queria tocar dois pontos: o primeiro tem a ver com a integridade (ou a falta desta) na Academia; o segundo é sobre o que seria uma boa atuação. Começando com a Academia, acho, de fato, que esta é sujeita a julgamento moral primeiramente pela própria sociedade EUA mas que, se tivéssemos que seguir o raciocínio do Freiss (quem quiser entender melhor seu ponto de vista, é bom ler o artigo aqui), não deveria ter ganhado um ator """normal""" que faz o papel de um transexual e, sim, um ator transexual. Sobre a atuação di per se, me desculpem os seguidores de Friess, mas estou muito incline a definir o trabalho do Leto praticamente impecável. É emocionante, honesto e muito minucioso. Os olhares nos penetram como lâminas profundas no coração e, nos nossos mundos de hipocrisia intermitente, achamos super justificado cada furo de heroína que seu corpo aguenta. Quem deveria ter recebido o prêmio e foi desmerecido?
Aguardo comentários para saber se é mais fácil comprar a versão do Freiss ou a minha!


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